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A CRISE HIDRICA AGRAVADA PELA DIMINUIÇÃO DA CAPACIDADE DOS RESERVATÓRIOS DE ABASTECIMENTO

Fernando César Hungaro – Professor na Faculdade de Engenharia da Toledo Prudente Centro Universitário (Presidente Prudente/SP) e Diretor Técnico na Ecopontes – Sistemas Estruturais Sustentáveis.

Antes de mais nada, é importante fazer esta distinção: “seca” e “crise hídrica” não são a mesma coisa. Entende-se por seca um período com escassez de chuvas, que abrange extensas regiões e possui longas durações. A crise hídrica, por outro lado, é a incapacidade de suprir a crescente demanda por água.

A crise hídrica leva, ainda, aos baixos níveis de água nos reservatórios, quando deveriam estar em níveis normais para atender às necessidades da população. A atual crise hídrica do Brasil é considerada a pior da história. Apesar do Brasil apresentar quase um quinto das reservas hídricas do mundo, a falta de água é uma realidade em várias regiões do país. Alguns estudos indicam que os episódios de falta de recursos hídricos devem se repetir nos próximos anos. As secas extremas vêm, há muito, comprometendo os reservatórios de abastecimento de água dos moradores.

Diferente de como muitos pensam, o problema não está relacionado apenas à falta de chuvas regulares, mas abrange também questões como: falta de infraestrutura de abastecimento capaz de acompanhar o aumento da demanda, má gestão dos recursos hídricos, ausência de medidas de redução de desperdícios, ineficiência da educação para um consumo racional de água, poluição e desmatamento, falta de controle de problemas ambientais e, ainda, o assoreamento dos reservatórios.

Como não se sabe o quão ruim uma seca pode se tornar, todo governo responsável deve assumir que uma escassez de água ocorrerá e, portanto, se preparar para ela. Infelizmente, assim que uma crise passa, com um ou dois anos de chuva, os governos tendem a ignorar a questão, direcionando foco e financiamento em outros setores.

O Brasil é um país de potencial ilimitado e tem uma população empreendedora. Uma das coisas que podem impedi-lo de alcançar sua plenitude potencial é uma falha na proteção de seus recursos hídricos. O aumento populacional descontrolado e o crescimento das cidades geram mudanças muito grandes para o meio ambiente.

Muitas vezes, os recursos naturais próximos às áreas urbanas não conseguem suprir a demanda crescente da cidade. Ao mesmo tempo que a população só cresce, a quantidade de água diminui devido ao aumento da poluição. Além disso, a prática de mudar os fluxos dos rios acarreta problemas nas reservas hídricas. Isso porque, um rio não existe isolado. Ele se encontra em um ecossistema, uma rede de bacias que dependem direta e indiretamente entre si. Dessa forma, a complexidade de manter o volume de um corpo hídrico aumenta. É necessário que chova em toda uma região e não apenas em torno de sua área. 

Ressalte-se que o Assoreamento é o processo em que cursos d’água são afetados pelo acúmulo de sedimentos, o que resulta no excesso de material sobre o seu leito e dificulta a navegabilidade e o seu aproveitamento, principalmente no caso das represas de armazenamento de água para o consumo nas cidades. Quando se remove a vegetação, principalmente a mata ciliar (a vegetação que se encontra nas margens dos cursos d’água), o processo acima citado intensifica-se, além de gerar o surgimento de erosões nas proximidades do próprio rio.

As consequências do assoreamento de rios e lagos podem ser sentidas diretamente pela sociedade. Os rios perdem grande parte se sua capacidade de escoamento, haja vista que sua calha natural foi diminuída, causando, portanto, as inundações urbanas. Soma-se a isso a perda da vegetação subaquática e das condições de habitat para peixes e outros animais, dificultando até mesmo a reprodução das espécies.

O assoreamento torna-se ainda pior quando, além dos sedimentos, lixo e esgoto são depositados sobre o rio, acumulando ainda mais dejetos em seu leito.

Para combater o assoreamento, a melhor medida é trabalhar na sua prevenção, contendo os processos erosivos em áreas situadas próximas às drenagens, além de impor barreiras para que os sedimentos não se acumulem rapidamente sobre elas.

Para que possamos minimizar os impactos no fornecimento de água para a população, a dragagem dos reservatórios assoreados torna-se necessária e urgente. Os gestores públicos têm que focar nesta necessidade premente e de forma célere colocá-la em prática. A utilização de modernos equipamentos proporciona de forma rápida e eficiente o aumento da capacidade de armazenamento destes dispositivos, minimizando o impacto do desabastecimento.

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