Dentro da Fábrica
Blog Ecopontes | Série Pontes Mistas | Artigo nº 33
A jornada de uma longarina: do aço bruto ao elemento que vence grandes vãos
O caminho de uma única peça dentro da fábrica, do perfil que chega até a viga que sai para o canteiro, contado por quem organiza a sequência.
Até que uma ponte seja instalada, o contrato passa por diversos processos. Um dos mais determinantes é definir como vencer o vão. Essa responsabilidade cabe aos engenheiros, que calculam todos os elementos estruturais necessários para suportar as cargas dos veículos e garantir a segurança da obra.
Entretanto, pouco se fala sobre um dos componentes mais importantes de uma ponte: as longarinas principais. São elas que recebem grande parte dos esforços da estrutura e os distribuem para os demais elementos da ponte. Por isso, precisam ser cuidadosamente dimensionadas pela engenharia e receber atenção especial durante todo o processo de fabricação, garantindo que a estrutura final desempenhe exatamente como foi projetada.
A peça chega, e é conferida antes de qualquer coisa
Após a definição das dimensões, o Planejamento e Controle da Produção organiza a sequência de fabricação para que cada etapa aconteça no momento adequado. Com isso definido, os perfis, sejam eles de aço laminado ou perfis soldados, são adquiridos e chegam à fábrica para iniciar sua transformação.
Logo na chegada, suas dimensões são rigorosamente conferidas, gerando as amostragens necessárias para o controle de qualidade. Somente após essa inspeção inicial a fabricação tem início.
Montagem, e a primeira liberação
Com as equipes definidas, os perfis seguem para as células de montagem, onde passam por cortes, emendas soldadas, furação e montagem dos componentes que receberão as peças de travamento da ponte. Essa etapa exige profissionais qualificados e atentos aos mínimos detalhes, pois a qualidade da montagem é determinante para que toda a fabricação siga conforme o planejamento.
Concluída a montagem, entra em ação o técnico de qualidade, responsável por verificar cada medida, cada furação, cada componente instalado. Somente após sua aprovação a longarina é liberada para o setor de solda.
A solda, e a segunda liberação
Os soldadores recebem a peça juntamente com os parâmetros definidos pelo procedimento de soldagem e iniciam o processo. Finalizada a soldagem, a qualidade volta a atuar, realizando inspeções visuais e ensaios não destrutivos para verificar a integridade das juntas soldadas. Apenas depois de atender a todos os requisitos de qualidade a longarina é liberada para a próxima etapa: o tratamento de superfície.
O jateamento prepara a superfície para a proteção
Saindo da solda, a peça segue para a cabine de jateamento. Nessa etapa, recebe a limpeza por meio de granalha de aço, removendo impurezas, oxidação e qualquer contaminação superficial. Além da limpeza, o jateamento cria a rugosidade ideal para proporcionar máxima aderência ao sistema de pintura, responsável por proteger a estrutura durante muitos anos de exposição às intempéries.
Após o jateamento, a superfície é avaliada com um rugosímetro para verificar se os parâmetros especificados em norma foram atingidos. Mais uma vez, com a aprovação da qualidade, a longarina segue para a cabine de pintura.
A pintura começa com pincel, e não com pistola
Na pintura, a proteção começa de forma cuidadosa e detalhada. Os pintores aplicam manualmente, com pincel, o fundo epóxi em frestas, cantos e regiões de difícil acesso. Somente depois é realizada a aplicação do restante da tinta utilizando equipamento airless, garantindo uniformidade e espessura adequada.
Após o tempo de cura do fundo epóxi, é realizada a medição da espessura da camada de tinta, assegurando que a proteção anticorrosiva esteja dentro das especificações. Em seguida, a estrutura recebe a pintura de acabamento, responsável não apenas pela estética da ponte, mas também por complementar o sistema de proteção.
Concluída a pintura, a equipe da qualidade realiza uma nova inspeção, medindo a espessura total do sistema de pintura, fundo e acabamento, para garantir que todos os requisitos técnicos e de durabilidade tenham sido plenamente atendidos.
O último processo dentro da fábrica
Com todas as etapas concluídas e todos os parâmetros aprovados, chega o carregamento.
Assim como o perfil de aço chegou à fábrica em seu estado bruto e sem forma, agora ele parte completamente transformado. A longarina é cuidadosamente carregada juntamente com as demais peças e parafusos que compõem a ponte e passa por uma última conferência, garantindo que absolutamente nenhum componente fique para trás.
Então chega o momento de deixar a fábrica.
O que fica
A longarina segue rumo ao canteiro de obras, onde uma equipe especializada a aguarda para posicioná-la em seu lugar definitivo. Ali, ela finalmente cumprirá a missão para a qual foi projetada desde o início: vencer o vão, suportar cargas, conectar caminhos e fazer parte de uma estrutura que permanecerá por décadas servindo às pessoas.
Poucos enxergam tudo o que existe por trás de uma ponte pronta. Mas cada longarina carrega uma história de engenharia, planejamento, fabricação, inspeção e dedicação. Muito antes de sustentar veículos e pessoas, ela foi sustentada pelo trabalho de dezenas de profissionais comprometidos com a qualidade em cada detalhe.
Sobre a Ecopontes
A Ecopontes fabrica pontes metálicas e mistas em Presidente Prudente (SP), com estruturas entregues em mais de 20 estados e frota própria para atender inclusive as regiões mais remotas do país. Toda estrutura sai acompanhada de projeto estrutural, memória de cálculo, classe de carga declarada e garantia por escrito, com responsável técnico identificado. Para falar com a nossa equipe: (18) 99821-6674 ou ecopontes.com.br.
| José Guilherme E. Quast Responsável pelo Planejamento e Controle da Produção · Ecopontes |
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