O que se mede numa peça antes de ela sair da fábrica (e o que acontece quando reprova)
Por Gustavo de Oliveira Cardoso · Analista Técnico de Obras e Projetos da Ecopontes
Antes de uma peça sair daqui, ela é medida. E se a medida não bater, ela não sai. Parece óbvio dito assim, mas é a regra que organiza o trabalho de quem faz inspeção, e é o que decide se a ponte que chega na obra vai se encaixar na primeira tentativa.
O que se confere contra o projeto
Toda peça nasce de uma cota. O comprimento da longarina, a posição de cada furo, a distância entre enrijecedores, o esquadro das chapas de ligação. Cada uma dessas medidas está no desenho, e cada uma é conferida na peça física antes de seguir para a etapa seguinte.
A conferência é feita com instrumento, não a olho. Trena, paquímetro e gabarito, com o resultado registrado. Quando a peça sai da montagem, sabemos o que foi medido, quando, por quem e com que resultado. É esse registro que permite dizer, na obra, que a peça vai encaixar.
O que se confere na solda
A solda segue um procedimento definido: quem solda, com qual processo, em qual posição, com qual consumível. Depois, ela passa por inspeção. A inspeção visual identifica o que aparece na superfície. Onde o projeto pede, entram os ensaios que enxergam o que a vista não alcança, como o líquido penetrante, que revela descontinuidade abaixo do que o olho vê.
O ponto aqui não é a solda ficar bonita. É a solda estar dentro do que o procedimento exige, e isso ser verificado e registrado.
O que se mede na pintura
Antes da tinta, a superfície é preparada por jateamento, e a rugosidade que ele deixa é medida. Depois da aplicação, a espessura de cada camada é medida também, ponto a ponto, com equipamento próprio. O valor tem faixa definida em projeto. Não é estimado pela cor nem pelo tempo de secagem.
Essa é a etapa que ninguém vê depois da ponte pronta. E é a que decide se a estrutura vai atravessar décadas com o tratamento de superfície fazendo o trabalho dele.
Quando a peça reprova
Às vezes a peça reprova no controle. E isso é o sistema funcionando.
Reprova uma cota fora da tolerância, um passe de solda com descontinuidade, uma camada de tinta abaixo da faixa. O que acontece depois é sempre o mesmo: a peça não segue. O passe é refeito, a camada é complementada, a cota é corrigida, e a peça volta para a inspeção. Só sai quando passa.
O que importa mais do que a reprova é o registro dela. Uma reprova registrada mostra que o controle existe, onde ele pegou e o que foi feito. Uma fábrica que nunca reprova nada não está conferindo.
Por que isso chega na sua obra
Quando a estrutura chega à obra, ela traz um trabalho que começou muito antes, dentro da fábrica. Cada peça foi medida, cada solda foi inspecionada, cada camada de tinta foi conferida. É por isso que a viga vai pronta para ser instalada, sem solda em campo, e é por isso que a garantia da estrutura pode ir por escrito no contrato.
Isso não aparece na ponte pronta. E é o que decide se ela vai atravessar décadas.

Cada furo e cada cota conferidos contra o projeto antes de a peça seguir. É o que faz a ponte encaixar na obra.
A Ecopontes projeta, fabrica e monta pontes metálicas e mistas em Presidente Prudente (SP), com estruturas entregues em mais de vinte estados. Toda estrutura sai com projeto, controle de fabricação registrado e garantia por escrito. Para falar com a nossa equipe: (18) 99821-6674 ou ecopontes.com.br.

Gustavo de Oliveira Cardoso é Analista Técnico de Obras e Projetos da Ecopontes e acompanha a inspeção das peças na fábrica.
Categorias: Informativo